Departamento Editorial
Este link será brevemente ativado
Tudo Serve
Palestras Notícias Reportagens
Centro Espírita
Educandário Eurípedes
Inst.Popular Humberto de Campos
Creche Gustavo Marcondes
Creche Mãe Luiza
Terça, 07 de Setembro de 2010  
Lançamento:
   Curso Iniciação ao
   Espiritismo em DVDs
Home Page
Apresentação
Grade de Atividades
Cursos
Palestras
Assistência Espiritual
Preleções Evangélicas
Atendimentos
Casa de Apoio à Vida
Mocidade Espírita
Educação Espírita
Voluntariado
Fale Conosco
Localização
Boletim
Notícias
Eventos
Campanhas
Reportagens
Espiritismo
Livros / CDs
Biografias
Mensagens
Calendário
Arte
Teatro
Coral
Vozes do Amanhã
::  Biografias
Bezerra de Menezes
ADOLFO BEZERRA DE MENEZES CAVALCANTE, nasceu em Riacho do Sangue, hoje Jaguaretama/CE, em 29 de agosto de 1831 e Desencarnou em 11 de abril de 1900.

Foi: Médico; Redator e Político( Vereador; Prefeito Deputado e Senador).

Foi casado duas vezes e teve 9 filhos sendo: dois do primeiro casamento e sete do segundo.

De família católica e tradicional do Ceará , teve no seio de sua família e na figura de seu Pai, um modelo de probidade, justiça e retidão, que soube como poucos seguir por toda sua existência.

Muito cedo revelou sua fulgurante inteligência, pois aos 11 anos de idade iniciava o curso de Humanidades e aos 13 anos, conhecia tão bem o Latim que, na ausência e impedimentos do professor, lecionava a seus colegas de classe. Foi o primeiro aluno de sua turma no Liceu da capital Cearense.

Durante sua infância, a contrário de seus irmãos que puderam estudar e se formar em Leis pois seu Pai tinha bens de fortuna, devido a generosidade do mesmo para com o próximo, traço herdado por Bezerra de Menezes, viu-se com o cofre paterno esgotado e sentiu desde tenra idade, a necessidade de enfrentar a rudeza da vida.

Disposto a estudar Medicina, em 1851 mudou-se para o Rio de Janeiro e para poder custear os estudos, ingressou como interno na santa casa de Misericórdia. Para conseguir se manter dava aulas de Filosofia e Matemática.

Doutorou-se em 1856 na Faculdade de Medicina com a tese “Diagnóstico do Cancro”.
Foi empossado na Academia Imperial de Medicina em 01 de junho de 1857, depois de ter apresentado um trabalho memorável sobre o tema “Alguns Aspectos do Cancro, Encarado pelo Lado do Tratamento”. Foi nesta mesma época que abandonou seu último patronímico, passando a assinar Adolfo Bezerra de Menezes.

Em 1858 foi nomeado Cirurgião - Tenente

De 1858 a 1861, foi redator dos “Anais Brasilienses de Medicina”, da Academia Imperial de Medicina.

Exerceu vários cargos na vida publica e na política, sem ter nada contra si, a não ser o fato de defender intransigentemente os direitos dos necessitados.

Criou a Cia de Estradas de Ferro de Macaé a Campos.

Participou ativamente da campanha abolicionista.

Legou-nos uma vasta obra literária de cunho espírita, filosófico e de temas regionais tais como: ‘Breves considerações sobre as secas do Norte”; “A Escravidão e as medidas que convém tomar para extingui-la sem dano para a Nação”; A Casa Assombrada”; A Loucura sob Novo Prisma”; “A Doutrina Espírita como Filosofia Teogônica”; “Casamento e Mortalha”; “Pérola Negra”; “Lázaro - o Leproso”; História de um Sonho”; Evangelho do Futuro”, entre outras. Escreveu ainda várias biografias de homens célebres entre eles, o Visconde do Uruguai e o Visconde de Caravelas.

Foi redator de “ A Reforma”, órgão liberal da Corte e, também, do jornal “Sentinela da Liberdade’.

Conheceu o Espiritismo em 1857, através de um exemplar do livro dos espíritos e com o lançamento em 1883 do reformador, passou a ser seu colaborador, escrevendo artigos judiciosos sobre o catolicismo.

Em 16 de agosto de 1886, um auditório de cerca de duas mil pessoas da “Melhor Sociedade”, enchia a sala de honra da Guarda Velha, para ouvir em silêncio, emocionado e atônito, a palavra sábia do eminente político, do eminente médico, Dr. Bezerra de Menezes, que proclamava sua pública, solene e decidida conversão ao Espiritismo.

Foi presidente da FEB, estudou metodicamente o Livro dos Espíritos. E traduziu “Obras Póstumas”. Afastou-se da FEB por motivos políticos porém, nunca do espiritismo. Quando a cisão dentro do movimento espírita se fez profunda, Bezerra de Menezes foi chamado por ser o único capaz de unificar a família espírita. Aos 63 anos de idade o infatigável batalhador assumiu a presidência da Federação Espírita Brasileira

Criou vários grupos espíritas , entre eles o grupo Ismael, onde trabalhou por muitos anos.

Defendeu os direitos e a Liberdade dos espíritas contra certos artigos do Código Penal.
Em meados de 1900 foi acometido de violento ataque de congestão cerebral, que o prostrou no leito, de onde não mais se levantaria.

Verdadeira romaria de visitantes acorria à sua casa. Ora o rico, ora o pobre, ora o opulento, ora o que nada tinha. Todos vinham chorar a morte do maior dos amigos especialmente, aqueles vindos dos morros, das favelas, gente humilde, descalça, maltrapilha, os pobres de espírito, os humildes de coração, beneficiados pela medicina do seu amor, ali se achavam em mistura com outra gente rica e poderosa, pertencente ao mundo oficial do Governo e às entidades culturais do Distrito Federal. Todos choravam como se tivessem se afastado de um Pai.

Bezerra de Menezes abdicou da possibilidade de ter uma vida de riqueza e fartura, em favor daqueles humildes que, por sua abnegação em atendê-los sem nada cobrar, valeu-lhe o merecido título de “O Médico dos Pobres”, título esse que no dizer do próprio Bezerra, era a maior riqueza que possuía.

Bezerra de Menezes tinha o encargo de médico como um verdadeiro sacerdócio por isso, dizia “ Um médico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de escolher hora, nem de perguntar se é longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate à porta. O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro o que, sobretudo, pede um carro a quem não tem como pagar a receita, ou diz a quem chora á porta que procure outro, esse não é médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura. Esse é um infeliz, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única esportula que podia saciar a sede de riqueza de seu espírito, a única que jamais se perderá nos vais - e - vens da vida”.

Depois de tão emocionante lição que serve para se aquilatar a alma bondosa, generosa e desprendida de tão maravilhoso irmão, só nos resta inserir o acontecimento da chegada de Bezerra de Menezes à espiritualidade, extraída do livro O Semeador de Estrelas, de Sueli Caldas Schubert.
“um dia perguntei ao Dr. Bezerra de Menezes, qual foi sua maior felicidade quando chegou ao plano espiritual . ele responde-me:
A minha maior felicidade, meu filho, foi quando Celina, a mensageira de Maria Santíssima, se aproximou do leito onde eu ainda estava dormindo, e, tocando-me, falou, suavemente:
Bezerra, acorde, Bezerra!
Abri os olhos e vi-a, bela e radiosa.
- Minha filha, é você Celina?!
- Sim, sou eu, meu amigo,. A mãe de Jesus pediu-me que lhe dissesse que você já se encontra na Vida Maior, havendo atravessado o pórtico da imortalidade. Agora, Bezerra, desperte feliz.
Chegaram os meus familiares, os companheiros queridos das hostes espíritas que me vinham saudar. Mas, eu ouvia um murmúrio, que me parecia vir de fora. Então, Celina me disse:
- Venha ver, Bezerra.
- Ajudando-me a erguer-me do leito, amparou-me até uma sacada, e eu vi, meu filho, uma multidão que me acenava, com ternura e lagrimas nos olhos.
- Quem são Celina? - perguntei-lhe - não conheço a ninguém. Quem são?
São aqueles a quem você consolou, sem nunca perguntar-lhes o nome. São aqueles Espíritos atormentados, que chegaram às sessões mediúnicas e a sua palavra caiu sobre eles como um bálsamo numa ferida em chaga viva; são os esquecidos da terra, os destroçados do mundo, a quem você estimulou e guiou. São eles, que o vêm saudar no pórtico da eternidade. ...
E o Dr. Bezerra concluiu:
- A felicidade sem lindes existe, meu filho, como decorrência do bem que fazemos, das lágrimas que enxugamos, das palavras que semeamos no caminho, para atapetar a senda que um dia percorreremos.

O “médico dos Pobres”, o amigo de todos, o Pai de muitos, aquele que em nome do Amor tudo tolerava, após mais de 100 anos de seu desencarne, é vitima da intolerância política e religiosa que tanto combateu pois, assistimos perplexos uma Sra. Vereadora da cidade do Rio de Janeiro, por conta e em nome de preceito religioso (ela é Protestante), mandou retirar de seu gabinete o quadro que retrata o Dr. Bezerra de Menezes, de autoria do renomado pintor português Antônio Rodrigues Duarte, trazendo na parte inferior da moldura uma placa de prata com a seguinte inscrição: “Tributo do maior respeito e consideração que, em homenagem ao grande talento e honrado caráter do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, consagram os súditos portugueses, residentes nesta Corte. Rio de Janeiro, 8 de dezembro de 1879”.

Tal ato de flagrante demonstração de preconceito da vereadora em questão, ao contrário do que ela própria imagina, ao invés de depor contra tão ilustre personagem, serviu para que a chefia do cerimonial da Câmara, colocasse o quadro onde sempre deveria estar - na sala do próprio cerimonial - onde todos quanto ali cheguem, possam ser invadidos pela paz, harmonia e amor que sua figura desperta naqueles que tem oportunidade de olhar para tão doce e serena feição.

Ironicamente, a Sra. vereadora foi eleita por um partido cuja sigla é a mesma do partido pelo qual Bezerra de Menezes fez sua vida Pública. É evidente que, as coincidências param por ai, diante da atitude da infeliz parlamentar.

Só nos resta seguir as lições deste modelo de Amor ao Próximo que foi e continua sendo Bezerra de Menezes, para a cada dia mais, seguirmos os ensinamentos de Jesus.

© 2003 CEAK Campinas - Todos os direitos reservados. Produzido por Interside